Não é uma marca, é uma característica humana que se repete em
vários países.
Numa das minhas caminhadas, numa rua estreita perto de casa,
duas senhoras discutiam. Uma com uma vassoura na mão e um balde ao lado. Outra,
com um cachorro numa coleira. A calçada, molhada, recém-lavada. Ao me
aproximar, vi que a de vassoura reclamava que o cachorro conduzido tinha feito
cocô na calçada, que isso não era correto. A do cachorro disse que não podia
fazer nada. Ela saía com o animal, ele fazia, e daí? A outra disse que o
cachorro realmente não tinha culpa. A culpa era da dona. Continuei minha
caminhada. A discussão continuou.
Pois é. Curioso isso, mas pra se andar por aqui é preciso
cuidar muito pra não enterrar o pé nos cocôs de cachorros distribuídos pelas
calçadas. Não se veem pessoas passeando com os animais com o tradicional
saquinho na mão. E o dejeto fica no meio da calçada.
Outra coisa é o lixo. Estamos acostumados, em Curitiba, a
separar o lixo orgânico do “lixo que não é lixo”. Temos recipientes separados.
Aqui no nosso bairro é tudo junto. E há muito lixo espalhado pelas calçadas. As
pessoas jogam latinhas de cerveja, pets de refrigerantes, embalagens de
salgadinhos, de chocolates, papéis de sorvete, embalagens diversas. Não só aqui. Ontem de
manhã, passando de ônibus, vimos na entrada de uma faculdade um monte de lixo
deixado na noite anterior. Lá por 10 h da manhã, os garis limpam tudo.
E não faltam lixeiras. Perto do ponto de ônibus que
utilizamos havia lixo no chão, a dois metros de uma lixeira.
Agora pouco, um dos vizinhos desembalou alguma coisa grande
que comprou, e depositou os plásticos e papelão embaixo de uma árvore na frente
do prédio. A lixeira está a 20 m!
Caminhando, eu e Ju, no centro, um senhor estava com um
cachorro, e, surpreendentemente, com um saquinho plástico nas mãos. O cachorro
defecou, o cidadão recolheu o produto e... jogou na grama. Lá ficou o saquinho
com o conteúdo desagradável. Perto, na calçada, uma lixeira parecia dizer: “Ei!
Ói eu aqui!”
Com isso, não se pode generalizar que o espanhol é relaxado.
São algumas pessoas, em alguns lugares. Questão de educação. Igual no Brasil.
Generalizações são enganadoras. Isso não é uma característica do valenciano ou
do espanhol. É uma ocorrência que acontece em qualquer país.
Muito menos pensar que isso quebra o encanto e a beleza da
cidade. Adorei este lugar! De novo: são algumas pessoas, alguns lugares. Mal-educados
existem em qualquer parte.
PS.: Se quiserem ver o prédio mais estreito da Espanha (quiçá
da Europa), está na página “Fotos”. Tem 1,05 m de largura. É verdade mesmo.
Consegui só entrar no térreo. A escada estava impedida. Gostaria de conhecer
por dentro. O andar deve ser um corredor, sei lá como.
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