sexta-feira, 20 de novembro de 2015

16) CADÊ MINHA MALA?



Me perguntaram por que não falei da Tam quando escrevi sobre passagens de avião pra cá. Bem, a Tam é muito superior às empresas europeias. Pelo menos as que conheci. Atendimento, comida, resolução de problemas. Só que é bem mais cara. No nosso caso, optamos por uma que estava mais barata, mas conhecida, pra não arriscar. A Air France.
Mas é preciso cuidado. Você compra uma passagem da Air France, por exemplo, mas ela passa trechos pra outras empresas (da Turquia, da Índia, da Espanha, do Marrocos, etc.). Sem avisar. Bem, as outras fazem isso também, mas as respostas a problemas são diferentes.

Não aconteceu conosco (pelo menos na vinda), mas meu filho teve a mala perdida quando veio pra cá com meu neto nos visitar. Ele também havia comprado a passagem da Air France, mas o trecho final (Paris-Valência), ficou a cargo da AirEuropa. É uma empresa espanhola, famosa por sumir com as malas. É só ver na internet. A empresa teria que adiantar 100 euros ao meu filho, ainda no aeroporto, pra ele se virar até supostamente encontrarem a mala. Não deram. Pediram 21 dias pra a encontrarem. E ele e meu neto só com a roupa do corpo. Claro, não encontraram a mala. Sempre diziam que estavam procurando. Um prejuízo danado. Havia até uma filmadora dentro. Agora, só com advogado. E aqui o consumidor não consegue exercer seus direitos como nós no Brasil. É um suplício conseguir alguma coisa. A Air France, que vendeu a passagem e passou um trecho para a espanhola Air Europa, disse que não tem nada com isso.

Se der, viajem pela Tam. Sempre me deparei com comissários e atendentes sorridentes e gentis, bem diferente da cara amarrada dos de muitas companhias estrangeiras. 

Já tive mala estragada em viagem pela Tam, dentro do Brasil. Reclamei no aeroporto, foram em casa buscar a mala, consertaram e a devolveram. Esses dias aconteceu isso com um passageiro da portuguesa TAP. Reclamou, os funcionários o mandaram entrar na Justiça. Dez a zero pro Brasil. 

E CUIDE DO QUE LEVA

Quanto a controle em aeroporto, a França e Espanha são mais rigorosas do que Portugal e Brasil. Graças a esse rigor, perdi um objeto de que gostava muito. 

Quando viajo de moto, uso minha mochila e carrego um canivete muito bom, que ganhei de presente. De estimação. Viajei pra cá com a mochila, e esqueci de tirar o canivete. Embarquei em Curitiba, depois em São Paulo, numa boa. Em Paris, me barraram. Eu não sabia por quê. Chamaram um segurança, pediram pra eu abrir a mochila. O canivete estava numa bolsinha externa. Pegaram e disseram que não poderia viajar com aquilo. Ficou com o segurança. Se eu tivesse sido barrado em Curitiba, poderia voltar e entregar pra minhas filhas, que estavam no aeroporto. Nós temos combinado de que quem leva pro aeroporto espera até o parente viajante passar pela fiscalização da polícia federal.

Indo pra Portugal, a revista na saída da Espanha foi muito rigorosa também. Tivemos que tirar tudo dos bolsos, cinta, relógio, líquidos e objetos metálicos das malas. A mala é desmontada e montada de novo. Tem até uma mesa pra isso. Nessa, perdi um pendrive. Na volta, em Portugal não foi preciso abrir mala, mochila, tirar cinta.

Pois é. Podemos perder objetos que levamos indevidamente, ou nos perdem as malas. Ou os dois.

sábado, 14 de novembro de 2015

15) ¿HABLAS ESPANHOL?

Eu e Ju não falamos espanhol.

Mas é mais fácil entender o espanhol do que o argentino. Vemos televisão, tanto noticiários como filmes. Como tudo tem legenda, dá pra entender. O contexto e as imagens facilitam.

Uma ajuda importante: o programa Tradutor, da Google, gratuito. Recomendo. Tem em muitas línguas. Se baixar o dicionário de português e da língua que lhe interessa, dá pra ser usado sem internet. Tenho ele no celular e no tablet. Dá pra usar no computador também. Traduz tanto falando como escrevendo. Palavras ou frases. Pra ver pronúncia tem que estar conectado. Pra escrever, não precisa. Quando aparece na TV alguma palavra que não dá pra entender, apelo pro tradutor. Quando tenho que telefonar, me preparo com ele, fazendo anotações. Entender é mais fácil do que falar. 

Pra conversar, pessoalmente ou por telefone, peço pra pessoa falar devagar. Fica bem tranquila a conversa.

É mais fácil compreender um espanhol daqui falando do que um português de Lisboa. Estivemos em Portugal (Lisboa, Porto e Coimbra). Os de Porto falam diferente dos de Lisboa. Daí a gente entende melhor.

Pra Português não dá pra usar o Tradutor. Não tem tradução (nem pronúncia) de Português de Portugal para Português do Brasil.

Os espanhóis são solícitos, de um modo geral. Procuram se fazer entender e ser entendidos. Nos dois meses aqui só tivemos dois atendimentos grosseiros. Um, logo que chegamos. Uma dona de um restaurante, que disse que não ia nos atender porque iria fechar dali a 30 minutos (??). Nós já havíamos estado lá no dia anterior, no mesmo horário, atendidos pela funcionária, muito gentil, e a comida foi boa. Dessa vez foi a dona. Poderia deixar de atender, mas explicar de maneira polida. Grosseria desnecessária. 

Outro foi um atendente da estação de trem aqui pertinho. Perguntei o preço de uma passagem para Alicante, ele disse, rispidamente, que precisaria ver no computador (bem à frente dele), que não sabia. Era pra eu olhar num quadro na parede... que não tinha essa informação.

Só esses dois casos. Os motoristas de ônibus são gentis, os atendentes nas estações de metrô e trem (fora esse) também.

Segunda tenho que ir a um banco pra fazer um pagamento de aluguel de apartamento em Madrid. Já vi que não é como no Brasil. Vou ver como é o atendimento pra eu aprender a fazer o depósito.


De novo: o Tradutor é muito bom pra nos ajudar. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

14) CASTELLóN DE LA PLANA, DE TREM

Aqui pertinho de casa, a cerca de 300 m, há uma estação de trem. Pegamos um pra conhecer Castellón de la Plana, capital da província de Castellón. A passagem, com o desconto que temos, custa 2,60 €. Bem, na volta, o vendedor não quis digitar o número de nossos cartões de desconto. Só fez de conta, e cobrou 3,50 €. Faltavam 5 minutos pro trem sair, não deu nem pra reclamar. A viagem leva 1 hora. Para em várias estações. 

A cidade tem cerca de 170 mil habitantes, fundada em 1251. Pois é. Com essa idade, pode-se imaginar encontrar prédios velhos, maltratados, sujos. Mas não. A cidade é linda. Os prédios antigos a deixam mais bela ainda. São bem tratados (como em Valência). As ruas, limpíssimas, o povo cortês. Como em Valência, vê-se o sol nas ruas, pois os prédios não são altos como no Brasil, que segue o modelo colonialista estadunidense. Não são altos, justamente para o bem da população. Pra haver sol.

Na página de fotos, coloquei algumas imagens de lá. Lugar bom pra se morar também. Logo que saímos da estação, a pé, demos de cara com um grande parque, todo arborizado, limpo, bem cuidado, o Parque Ribalta. Andamos mais um pouco e chegamos à Plaza Mayor, onde está o Mercado Central (1947), a Igreja Santa Maria de la Asuncion (fundada no final do Século XIII, que pegou fogo e foi reconstruída em 1549. Com a guerra civil espanhola, teve de ser reconstruída em 1939). Mais à frente, o Real Casino Antiquo (1923). Próxima, a Plaza de Toros (1887)e o prédio do correio (1927). Prédios lindíssimos. As plazas de toros se parecem com o Coliseu de Roma. Nas plazas de toros, se matam animais. No Coliseu se matavam pessoas (os gladiadores).

Uma coisa que achei interessante por aqui é que a paisagem entre as cidades não é bonita. Quando chegamos, no trajeto Madrid-Valência a vista é desanimadora. Agora, indo pra Castellon, a mesma coisa. Em compensação, as cidades são lindas. 

domingo, 8 de novembro de 2015

13) LIXO E COCÔ DE CACHORRO

Não é uma marca, é uma característica humana que se repete em vários países.

Numa das minhas caminhadas, numa rua estreita perto de casa, duas senhoras discutiam. Uma com uma vassoura na mão e um balde ao lado. Outra, com um cachorro numa coleira. A calçada, molhada, recém-lavada. Ao me aproximar, vi que a de vassoura reclamava que o cachorro conduzido tinha feito cocô na calçada, que isso não era correto. A do cachorro disse que não podia fazer nada. Ela saía com o animal, ele fazia, e daí? A outra disse que o cachorro realmente não tinha culpa. A culpa era da dona. Continuei minha caminhada. A discussão continuou.

Pois é. Curioso isso, mas pra se andar por aqui é preciso cuidar muito pra não enterrar o pé nos cocôs de cachorros distribuídos pelas calçadas. Não se veem pessoas passeando com os animais com o tradicional saquinho na mão. E o dejeto fica no meio da calçada.

Outra coisa é o lixo. Estamos acostumados, em Curitiba, a separar o lixo orgânico do “lixo que não é lixo”. Temos recipientes separados. Aqui no nosso bairro é tudo junto. E há muito lixo espalhado pelas calçadas. As pessoas jogam latinhas de cerveja, pets de refrigerantes, embalagens de salgadinhos, de chocolates, papéis de sorvete, embalagens diversas. Não só aqui. Ontem de manhã, passando de ônibus, vimos na entrada de uma faculdade um monte de lixo deixado na noite anterior. Lá por 10 h da manhã, os garis limpam tudo.

E não faltam lixeiras. Perto do ponto de ônibus que utilizamos havia lixo no chão, a dois metros de uma lixeira.

Agora pouco, um dos vizinhos desembalou alguma coisa grande que comprou, e depositou os plásticos e papelão embaixo de uma árvore na frente do prédio. A lixeira está a 20 m!

Caminhando, eu e Ju, no centro, um senhor estava com um cachorro, e, surpreendentemente, com um saquinho plástico nas mãos. O cachorro defecou, o cidadão recolheu o produto e... jogou na grama. Lá ficou o saquinho com o conteúdo desagradável. Perto, na calçada, uma lixeira parecia dizer: “Ei! Ói eu aqui!”

Com isso, não se pode generalizar que o espanhol é relaxado. São algumas pessoas, em alguns lugares. Questão de educação. Igual no Brasil. Generalizações são enganadoras. Isso não é uma característica do valenciano ou do espanhol. É uma ocorrência que acontece em qualquer país.

Muito menos pensar que isso quebra o encanto e a beleza da cidade. Adorei este lugar! De novo: são algumas pessoas, alguns lugares. Mal-educados existem em qualquer parte. 


PS.: Se quiserem ver o prédio mais estreito da Espanha (quiçá da Europa), está na página “Fotos”. Tem 1,05 m de largura. É verdade mesmo. Consegui só entrar no térreo. A escada estava impedida. Gostaria de conhecer por dentro. O andar deve ser um corredor, sei lá como.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

12) COMIDA ESPANHOLA É BOA?

Desfeitas as malas, pequeno descanso, e lá fomos nós para nossa primeira refeição em Valência. Por aqui, as cervecerías e botequerias oferecem um prato do dia. Consiste no primeiro prato (com umas 5 opções: macarrão, salada, paella, etc.), segundo prato (um peixe, um bife, com arroz, batatas, etc.), uma bebida (chope de 330 ml, ou refri, ou água), uma sobremesa (várias opções, muito boas) e um café. Custa de 7 a 10 euros. Depende do lugar. Às vezes oferecem porções de todas as opções do primeiro prato em vez de só uma escolhida.

Quando chegamos, nossa primeira refeição, perto de casa, foi um desses. Nove euros por pessoa. Comemos muito bem. De bebida, pedi uma “cerveza de barril” (o nosso chope), de um produto espanhol. A moça não soube dizer se as que eles tinham eram espanholas ou não.

Quando pedi a conta e o café final, a moça entregou o café e disse “Dieciocho”. Não entendemos. Inicialmente achamos que ela estava desejando uma boa sorvida de café. Depois, que ela se referia ao valor da conta. Fui até o balcão e disse que queria pagar a conta. “Dieciocho”, disse ela. Dezoito euros. Não cobram 10%. Dei uma nota de vinte. Deu o troco e eu disse que era dela. Apenas jogou minha gorjeta na gaveta. Não deu a mínima. Daí vi que gorjeta por aqui não é necessário. Nunca mais dei. Só em Barcelona, porque o garçom gentilmente disse que não era cobrada taxa de serviço, mas se quiséssemos dar alguma coisa, agradeceria. Era um paquistanês.

Bem, até pegarmos o apartamento definitivo, tivemos que comer fora no almoço. Café da manhã e lanche à noite, em casa. Depois que mudamos, nos abastecemos no mercado e passamos à comida caseira. Em algumas saídas, comemos fora.

Quando se pede cerveja, os bares servem um “aperitivo” junto, de cortesia: amendoim, ou batatinha frita, ou azeitona. Todos servem “tapas”, a pedido, que são porções de jamón, batata, salame, etc. Uma que sempre pedimos é a “patata brava”. Batata fatiada frita, com tempero e apimentada. Uma delícia. Se pedir a batata junto com o chope, não vem o “aperitivo” de cortesia. Quem quiser o apetitivo, peça o chope e só depois peça a tapa. 

Os preços de comida e bebida variam muito conforme o lugar do estabelecimento. Em lugares turísticos é bem mais caro.

Detalhe: usa-se bem menos sal nas comidas do que no Brasil. Assim, mais saudável. 

Estivemos uma semana em Portugal. Depois falo da comida de lá. Nos esbaldamos comendo bacalhau, a preço incrível.