sábado, 10 de outubro de 2015

7) BEM DIFERENTE DE NÓS, BRASILEIROS

O que nos encantou de início em Valência foi a tranquilidade da cidade. No sábado à tarde, fica deserta, pelos menos nas imediações de onde ficamos. Nos dias de semana, das 14 às 16 h (algumas até as 17), as lojas fecham. As ruas vazias parecem um recolhimento para proteção subterrânea contra ataque nuclear. Mas é apenas a siesta espanhola. Siesta é uma banana que o espanhol dá para o capitalismo. A palavra vem do latim hora sexta, correspondente à sexta hora a partir da manhã (equivalente ao meio-dia).

O país está com desemprego alto, dificuldades econômicas, mas o povo não abre mão da qualidade de vida. O espanhol almoça tranquilo, descansa depois. Nada de comer correndo pra ir ao trabalho. Pesquisas comprovam que uma dormida depois do almoço deixa a pessoa mais produtiva. 

Barcelona não é bem assim. Estivemos lá por quatro dias. Lamentável. Estão se rendendo ao mercado.

Há uma região perto daqui com um grande shopping e a loja Corte Ingles, empresa espanhola com uns 10 andares. Vende de tudo. Nesses dois, o horário é diferente e não fecham para a siesta.

Farmácias fecham igual qualquer estabelecimento. Fazemos compras num supermercado grande, que não funciona sábado à tarde nem domingos e feriados.



Bares fecham cedo. Nada de bebum de madrugada. A cada pouco, uma praça, muitos bares com mesas nas calçadas. Sempre com gente tomando cerveja, a qualquer hora do dia. 

Aqui tem muitos idosos, que caminham sozinhos, alguns com suas bengalas ou apoiadores. Se sentam nos bancos das praças ou das ruas, caminham devagarinho, usam o transporte público.

A fama do mau-humor espanhol não foi mostrada até hoje. Fomos sempre bem atendidos. Claro, temos que adquirir o costume europeu de esperar o interlocutor acabar de falar antes de dizer alguma coisa. Nós, brasileiros, interrompemos o outro pra completar frases, pra mostrar que entendemos. Por aqui, isso não. 

Falei há pouco de índice de desemprego alto. Conversei com uma brasileira, de Maringá, que mora em Barcelona faz mais de dez anos, e ela disse que o desemprego alto refere-se ao formal. Como o imposto sobre o salário de empregado é muito alto, as empresas contratam informalmente. Então, na verdade o desemprego não é o que dizem os dados oficiais. Sei lá.

Pra ser atendido, em bares, lojas, você é ignorado até chegar sua vez. E sem pressa. Atendem devagar, tudo o que o cliente quer. A fila que se dane. Não há o: “Aguarde um momento. Já te atendo”. Quando chega sua vez, é bem atendido.

Não vi ainda lugar para atendimento prioritário a idosos, cadeirantes, grávidas, nem em supermercados nem em órgãos públicos.

Um comentário:

  1. Não só em cidades menores que o descanso prolongado acontece. No bairro Argueles de Madri onde fiquei 20 dias, a maioria das lojas também fecham. Exceção das grandes lojas e supermercados.

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