O que nos encantou de
início em Valência foi a tranquilidade da cidade. No sábado à tarde, fica deserta, pelos
menos nas imediações de onde ficamos. Nos dias de semana, das 14 às 16 h
(algumas até as 17), as lojas fecham. As ruas vazias parecem um recolhimento
para proteção subterrânea contra ataque nuclear. Mas é apenas a siesta
espanhola. Siesta é uma banana que o espanhol dá para o capitalismo. A palavra
vem do latim hora sexta,
correspondente à sexta hora a partir da manhã (equivalente ao meio-dia).
O país está com
desemprego alto, dificuldades econômicas, mas o povo não abre mão da qualidade
de vida. O espanhol almoça tranquilo, descansa depois. Nada de comer correndo
pra ir ao trabalho. Pesquisas comprovam que uma dormida depois do almoço deixa
a pessoa mais produtiva.
Barcelona não é bem
assim. Estivemos lá por quatro dias. Lamentável. Estão se rendendo ao mercado.
Há uma região perto
daqui com um grande shopping e a loja Corte Ingles, empresa espanhola com uns
10 andares. Vende de tudo. Nesses dois, o horário é diferente e não fecham para
a siesta.
Farmácias fecham
igual qualquer estabelecimento. Fazemos compras num supermercado grande, que
não funciona sábado à tarde nem domingos e feriados.

Bares fecham cedo.
Nada de bebum de madrugada. A cada pouco, uma praça, muitos bares com mesas nas
calçadas. Sempre com gente tomando cerveja, a qualquer hora do dia.
Aqui tem
muitos idosos, que caminham sozinhos, alguns com suas bengalas ou apoiadores.
Se sentam nos bancos das praças ou das ruas, caminham devagarinho, usam o
transporte público.
A fama do mau-humor
espanhol não foi mostrada até hoje. Fomos sempre bem atendidos. Claro, temos
que adquirir o costume europeu de esperar o interlocutor acabar de falar antes
de dizer alguma coisa. Nós, brasileiros, interrompemos o outro pra completar
frases, pra mostrar que entendemos. Por aqui, isso não.
Falei há pouco de
índice de desemprego alto. Conversei com uma brasileira, de Maringá, que mora em
Barcelona faz mais de dez anos, e ela disse que o desemprego alto refere-se ao
formal. Como o imposto sobre o salário de empregado é muito alto, as empresas contratam
informalmente. Então, na verdade o desemprego não é o que dizem os dados
oficiais. Sei lá.
Pra ser atendido, em
bares, lojas, você é ignorado até chegar sua vez. E sem pressa. Atendem
devagar, tudo o que o cliente quer. A fila que se dane. Não há o: “Aguarde um
momento. Já te atendo”. Quando chega sua vez, é bem atendido.

Não só em cidades menores que o descanso prolongado acontece. No bairro Argueles de Madri onde fiquei 20 dias, a maioria das lojas também fecham. Exceção das grandes lojas e supermercados.
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